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Laís Emília
Convidado Especial

Laís Emília

Por muito tempo, achei que minha vida se resumiria a ser recepcionista. Os estudos me levaram a conhecer Angola antes de algumas cidades da Bahia.

Laís Emília não espera a filosofia chegar à sua porta. Ela a constrói a partir do próprio corpo.

Mulher negra, do Jacintinho, filósofa e educadora, ela entrou na academia e logo percebeu: o "homem universal" dos livros não respirava o ar de Maceió, não conhecia o sol do Nordeste, não cabia na sua pele. Então, foi buscar onde a filosofia também pulsa: em Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo, na escrevivência e no pensamento negro que é potência, não apenas dor.

No episódio de hoje do Café com Poesia, Chico de Assis e Laís conversam sobre:

🔹 Por que a academia ainda resiste a filosofias que falem a partir do corpo negro?

🔹 A negação da identidade negra e o racismo estrutural no cotidiano

🔹 Ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas: resistência, não doutrinação

🔹 A coleção Vozes Negras (Editora Matriz) e o pensamento negro como ferramenta de libertação

🔹 Como a educação abriu portas: do Jacintinho a um intercâmbio em Angola

Aqui, a pausa é para refletir. O livro é a escrevivência que nos atravessa. E a poesia? A poesia está na coragem de existir inteira, na certeza de que estudar é um ato de sobrevivência e de amor.

Assista: A Filosofia do Corpo Negro: Escrevivência, Identidade e Educação

Sobre o Episódio

Neste episódio do Café com Poesia, Chico de Assis recebe a filósofa e educadora Laís Emília para um diálogo necessário sobre pensamento negro, identidade e educação antirracista. Partindo de sua experiência como mulher negra do Jacintinho (Maceió), Laís revela como a academia tradicional a fez questionar seu lugar, levando-a a buscar referências em Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez e Conceição Evaristo. Conversamos sobre a "escrevivência", a negação da identidade negra no Brasil, os desafios de aplicar a Lei 10.639/03 nas escolas, e por que ensinar história e cultura afro-brasileira é um ato de resistência, não de doutrinação. Com otimismo pé no chão, Laís compartilha como os estudos a levaram de sua comunidade a um intercâmbio em Angola, e por que acredita que a nova geração está pronta para existir o ano inteiro, não apenas no 20 de novembro. Um episódio sobre filosofia viva, corpo negro e a educação que liberta.

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